
Um castelo acabou de ruir
Um castelo acabou de ruir
percebí pelos estrondos da revoada dos patos.
Um castelo acabou de ruir
ergam-se todas as espadas, liberem as naus e suas amarras
e deixem meu peito, meus ossos e sangue descansarem em paz.
Urge uma canção do bardo para esse momento
tirem os servos dos poços
e todos os cavaleiros juntem seus esforços
para resgatar meu corpo entre o pó e os escombros.
Um castelo acabou de ruir
quero só correr por aí
e cantar minha canção sem rima e métrica
aos quatro cantos do mundo
aos deuses da morte e da guerra
Devolvam-me meu peito
devolvam-me meu reino
este reino pequeno e sem jeito
alicerçado com os ventos do norte.
Um castelo acabou de ruir
assim como um riso acabou de fugir
uma aurora nasce com o porvir
quero minhas armas, cavalo e amada
quero o brilho de minha espada
quero meu castelo de bandeiras tremulantes
só não quero os fossos obscuros
só não quero cantos inseguros.
Um castelo acabou de ruir
tempo de limpar e semear o terreno
aliviar os tolos, resgatar os mortos
demarcar, projetar novos muros
entender o porque do escuro
e tocar uma canção suave em meu alaúde
erguer um novo castelo sem calabouços
onde eu possa apenas descansar.
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